quinta-feira, 16 de novembro de 2017

TertúliaView: "Terra Selvagem" (Wind River) 2017 de Taylor Sheridan



Provavelmente você já ouviu falar que o Western ou faroeste (bangue-bangue ou filme de cavalo) é o "cinema por excelência" dos Estados Unidos. De fato é o gênero mais longevo, iniciando com os primórdios do cinema e rendendo grandes filmes até hoje. E de fato como tudo que é longevo está a mercê das transformações do tempo, o próprio gênero Western se modificou. No entanto, não estou aqui para tratar da evolução do gênero até os dias de hoje, isso será assunto de outro post. O que venho tratar aqui é de como Terra Selvagem (Wind River - 2017) é um filme que está inserido neste (podemos dizer) gênero fílmico.

+ Terra Selvagem (Wind River) 2017 de Taylor Sheridan



Dirigido e roterisado por Taylor Sheridan, o mesmo roteirista de A Qualquer Custo (Hell on High Water - 2016) e Sicario - Terra de Ninguém (Sicario - 2015), Terra Selvagem conta a história de uma morte misteriosa em uma reserva indígena no estado de Wyoming, Estados Unidos, e os esforços de Cory Lambert, interpretado por Jeremy Renner, um caçador que protege a reserva de ataques de lobos e leões da montanha, e Jane Banner, interpretada por Elizabeth Olsen, uma oficial do FBI que foi designada a investigar o crime.

 Em um cenário inóspito das planícies geladas do Wyoming, o título do filme brinca com a situação: em primeiro lugar pelo próprio espaço onde o filme se desenrola, um local que remete aos Wilderness dos filmes de faroeste clássicos, apesar de seu clima que chega a 30 graus negativos. Podemos definir Wilderness como qualquer espaço inóspito onde os homens e mulheres, por conta de condições climáticas,  isolamento e contato com a vida selvagem, são testados e tem seus valores civilizatórios colocados a prova.
O antagonismo entre a Cidade e o Wilderness, espaço onde só os fortes sobrevivem.
 E em segundo lugar, o título faz uma alusão à própria condição que os nativo-americanos se encontram. Com uma história de exploração e massacre, estas populações foram sucessivamente retiradas de seus territórios e cercadas em parques e reservas e abandonadas pelo governo americano. Podemos entender o filme como um manifesto clamando por melhores condições para estas populações, que nem sequer entram nas estatísticas de pessoas desaparecidas, ficando desamparadas pela lei estadunidense.
A perda da cultura nativa
Não é apenas no título que encontramos referências a temática do cinema Westerns. O personagem de Jeremy Renner é um exemplar do herói clássico do gênero. Apesar de sua boa relação e proximidade com a comunidade indígena, Cory Lambert não é indígena e sua inserção na comunidade ocorreu pelo seu casamento com uma nativa, exercendo uma autoridade carismática dentro da comunidade. Ele conhece a reserva e seus habitantes e sabe como agir, sempre seguindo seu código de conduta moral particular. Sua motivação também é típica dos heróis de faroeste. Definido conceitualmente como Inner-directed hero, ou seja, o herói motivado por questões interna, Cory decide ajudar nas investigações pelo fato do caso lembrar um grande trauma de seu passado.


Um elemento recorrente do Western Clássico é a partida do herói ao final da aventura, elemento subvertido aqui.
No entanto, alguns elementos subvertem a ordem clássica do gênero. Aqui não há a luta clássica entre o cowboy e os índios, sempre representados como um entrave para a conquista do Oeste. Apesar de haver uma tensão entre nativo-americanos e brancos ela é motivada pela condição que os brancos legaram a estas comunidades. Não há estereótipos indígenas, o que vemos é uma comunidade modificada pelo convívio com o homem branco que marginaliza e não reconhece os direitos destes grupos.
Outra subversão presente em Terra Selvagem é a perda do cowboy como referência.
Apesar de carregar alguns vícios do cinema Western clássico, como  o protagonismo do homem branco e o papel secundário da mulher, Terra Selvagem embarca na locomotiva do novo cinema de faroeste e certamente se tornará uma título lembrado do gênero. Sua crítica social também é um ponto a ser exaltado, principalmente pela escassez de filmes que representam as populações nativo-americanas de maneira não estereotipada e evidencie os problemas que estão legadas.

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+ bit.ly/Insanidadesselvagens

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

TertúliaView: "A Múmia" (The Mummy, 2017) de Alex Kurtzman

+ A Múmia (The Mummy, 2017) de Alex Kurtzman



Explicar por quê um filme é ruim as vezes pode gerar muita discussão, principalmente se você acha que o melhor lugar para mostrar sua opinião é aquele grupo de cinema no Facebook [nunca é]. E é por isso que o tertúlia e seu grupo de especialistas pensou numa ideia brilhante: como deixar um filme ruim [na nossa opinião] bom?! E como não começar um filme que esta sendo saco de pancada da crítica e do público??? [não confie no Rotten Tomatoes]

A Múmia de 2017 recebeu críticas negativas seja da imprensa especializada, seja do público geral. No IMDb ele recebeu uma preocupante 5,6 [assumindo, e sendo generoso, que 6 é uma nota razoável], mas o filme em geral apresenta questões complicadas que atrapalham o desenrolar da história. Talvez o primeiro seja o clichê. Não é problema trabalhar com clichês, portanto que a história nos deixe a sensação de apresentar algo diferente. Dois exemplos recentes, Vida e Autómata [por acaso escrevemos sobre isso Aqui], filmes que trabalham clichês da ficção científica, mas ao mesmo tempo deixam essa sensação de ter algo novo. A história d'A Múmia conta a história de exploradores de tesouros em busca de um artefato perdido e ao encontra-lo se deparam com algo sobrenatural e incompreensível. Com essa descrição local poderíamos estar falando de vários filmes que trataram desse clichê de expedições misturadas a aventura e ao sobrenatural [eu sei que seu cérebro está gritando INDIANA JONES!] No entanto, como falei, A Múmia não nós trás nada de novo ou algo que sugira um caminho diferente.

Cena de abertura do filme Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida

Outro problema que poderíamos apontar é a falta de complexidade da vilã. Se Imhotep nos filmes de 1932 e 1999 era guiado pelo amor, Ahmanet não tem motivação pessoal. Se seu objetivo inicial era tomar o reino de seu pai, ao ser trazida aos tempos atuais ela se torna somente um instrumento para trazer o mal, representado pelo deus Set, à Terra. Se ela não existisse, qualquer outra pessoa poderia fazer isso [como faz o personagem de Tom Cruise].  Além disso, a Múmia e os monstros não são se apresentam como ameaças. Os monstros criadas por ela por um beijo que suga sua energia vital, algo que também não é explicado e se apela a inteligência do expectador, são facilmente derrotados pelo nosso herói.

Ahmanet e Imhotep na versão de 1999

O herói também apresenta problemas. Se tenta construir a imagem do personagem em busca redenção, no entanto, tal mudança nunca é de fato direcionada e ocorre de forma abrupta e esquisita próximo ao término do filme. Suas motivações se confundem durante o filme, e no fim ele se torna também mais um instrumento para o grande mal. Afinal, os personagens principais são ele e a Múmia ou o mal? E nisso entramos no terceiro problema.
A organização de Dr. Jekyll é inserida logo no início do filme sem muitas explicações e ficamos um tempo sem saber quem eles são. Mas o problema é que ficamos sem saber quem eles são de fato o filme todo. Em certo momento eles se apresentam como uma entidade que combate o mal, ponto. Se você não é leitor do gênero terror/ficção científica você ira ficar perdido pois eles não vão explicar quem é o Dr. Jekyll. Não estou pedindo para darem uma de Nolan e explicarem tudo, mas explicação de menos também não é boa.

Capa do livro "O médico e o monstro"

Desta forma, chegamos ao final com 3 problemas: o vilão, o herói e a organização. Como poderíamos tornar esse filme um pouco melhor? Primeiro, o filme deveria escolher um foco. Ao querer apresentar tudo o que fosse possível da organização logo de início na retomada do Dark Universe, Universo Sombrio do estúdio Universal, eles acabam dividindo o foco e tornam o plot da Múmia fraco, pois em certos momentos ela fica no limiar entre primária/secundária. O filme tendo como título A Múmia poderia mostrar a organização no final do filme como um MIB chegando para limpar a bagunça e utilizar outro mecanismo para desenrolar a descoberta da múmia. A Múmia de 1999 fez isso utilizando os exploradores, desconhecendo o que tem em mãos, para renascer a múmia, Imhotep, e este seguindo sua busca após isso.

Dark Universe "antigo"


Logo do "novo" Dark Universe

Também era necessário proporcionar a vilã de uma motivação que não se esvaziasse ao ser trazida para o presente. Ela própria ser a encarnação do deus Set? Não ter motivação nenhuma, só ser um morto-vivo sem ação racional? Essa é mais complicada e talvez as soluções não vão no sentido que Hollywood imagina os filmes de hoje. E esse talvez seja o problema do herói. Em certos momentos é possível pensar que ele só está ali para as cenas de ação ou alívio cómico. Os filmes de Hollywood se encastelam nessa posição de Michael Bayziação dos filmes. Explosões, cenas de tirar o fôlego, tiros, explosões. Para onde isso leva a história? Talvez a solução do herói seja mais simples de resolver: reforce suas motivações, mesmo que negativas, mostre um movimento maior até ele chegar ao momento inicial do filme, mostre sua jornada; Mostre sua vulnerabilidade a verdadeiras ameaças, faça seu sacrifício chegar até o expectador e não parecer algo vazio. Seu embate deve ser com a Múmia e isso deveria ser retomado várias vezes durante o filme e não somente uma grande luta final como se ela fosse um chefe de jogo que só aparece no fim.

Acho que muitas pessoas poderiam indicar esses outros caminhos. Você tem um material envolvendo misticismo, sobrenatural, questionamentos sobre a vida e a morte, traga isso para o primeiro plano e coloque cenas de ação que desenvolvam a trama e você terá um filme que de fato fale da Múmia.

"Habitua-te a pensar que a morte não é nada para nós, pois que o bem e o mal só existem na sensação. Donde se segue que um conhecimento exato do fato de a morte não ser nada para nós permite-nos usufruir esta vida mortal, evitando que lhe atribuamos uma ideia de duração eterna e poupando-nos o pesar da imortalidade. [...]. Não há morte, então, nem para os vivos nem para os mortos, porquanto para uns não existe, e os outros não existem mais." Epicuro

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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

TertúliaView: “Death Note - Notas da Morte” (Death Note - Desu Nôto, 2006-2007) de Takeshi Obata e Tsugumi Ôhba



Confesso que não sou o cara mais experiente no assunto, afinal, nunca me dediquei com muito afinco a arte de acompanhar animes e mangás. Mas reconheço que uma fase da minha vida foi intensamente marcada por um mangá, que chegava em minhas mãos por uma amiga de escola, a cada volume uma nova surpresa e suspense, a cada nova devolução e empréstimo uma nova conversa e troca de teorias. Sim, o internacionalmente famoso mangá “Death Note” conseguiu mais um fã NERD em épocas de adolescência e é dessa experiência após anos que vamos comentar aqui hoje.

+ “Death Note: Notas da Morte” (Death Note: Desu Nôto, 2006-2007) de Takeshi Obata e Tsugumi Ôhba 


Depois de exatos dez anos de ler o mangá original (2003-2006) escrito pelos mesmo criadores do anime, descubro que a grande provedora de filmes em streaming Netflix realizou e acabou de lançar um filme sobre a clássica obra que marcou minha adolescência, após uma sessão dividida em duas partes, só pude dizer: QUE BOSTA! Toda a discussão entre justiça entre o protagonista Light e o investigador L é deixada de lado em nome de crises adolescentes de personagens que são construídos de maneira acelerada, deixando as características de cada um em questionamento e assim construindo um plot twist difícil de digerir e com um deus ex machina extremamente forçado. Me peguei a pensar: AFINAL, PQ RAIOS EU PIRAVA TANTO NESSA HISTÓRIA?


Light Yagami e seu querido Death Note
Descobri que dentro da plataforma Netflix possuía também o tão sonhado anime da saga, não resiste e comecei a assistir a série, lembrando de cada ponto crucial do mangá e por consequência a triste adaptação de Adam Wingard... Mas o que me impactou foi que a série caminhava muito bem até seu décimo episódio, até que veio na minha mente outro: QUE BOSTA! “ÓH! VC ESTÁ A CRITICAR A OBRA PRIMA DO ANIME JAPONÊS?” Sim, reconheço que estou, nós do Cine Tertúlia, não nos prendemos a conceitos imutáveis, estamos sempre dispostos a questionar tudo e até nós mesmo, isto é, fazemos qualquer coisa para garantir A EXPLOSÃO DE MENTES! Logo 1) Não sou mais aquela mesma pessoa de 16 anos; 2) Minha percepção de mundo se alterou; 3) Como também minhas analises fílmicas. Não que hoje eu esteja extremamente correta, só estou a alegar que minha visão acerca de narrativas se alterou com o passar do tempo.

L e seus hábitos alimentares
TÁ! TÁ! MAS QUE RAIOS O DEATH NOTE ORIGINAL TEM DE RUIM?” Como estava dizendo, a série caminha bem, em que vemos Light Yagami (Mamoru Miyano), na sua busca por um “mundo melhor” decide se utilizar um caderno, conhecido como Death Note, para matar todos os criminosos do planeta... “URRU!!! BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO!” Mas ai que está carx tertulianx, essa definição de ser “bandido” pode ser relativizada bastante e assim o termo pode ser expandido para pessoas que são contrárias a sua opinião e deste modo de “paladino da justiça” Light se transforma em um novo ditador para um novo mundo (lembre-se desse termo, é importante!). Nesse momento conhecemos um dos investigadores mais excêntricos da literatura mundial, o famoso L (Kappei Yamaguchi), que possui hábitos alimentares e de relacionar com as pessoas bastante peculiares e é nesse momento que se constrói uma das relações de oposição mais interessante da história das narrativas, entre Light e L.


Light é o Kira!!! 😲
Mas só que a narrativa começa a especular e muito! Com inclusão de novos personagens que não desenvolvem a história, somente a atrasam. Reviravoltas que se repetem excessivamente em que chegamos a desistir de compreender a investigação e somente nos anularmos para acompanhar o desfecho da série. Papéis femininos absurdamente omissos, em que se fôssemos utilizar "Teste de Bechdel” na narrativa não daria certo, pois as mulheres estão sempre subordinadas a figura masculina e quando se encontram somente abordam os conflitos de seus companheiros. Tanto que nos últimos capítulos eu não aguenta mais novos personagens e estava saturado de uma história que já tinha perdido todo o fetiche com a queda da disputa entre Kira e L. Mas sim, fui até o final e por isso estou pronto para escrever esse presente texto.

Tira sobre o que é o "Teste de Bechdel"
Mas como disse no início, muito mais que falar mal da narrativa da saga Death Note quero falar de mim mesmo perante tudo isso, o jeito que olhava para com a narrativa da série há dez anos atrás e o jeito que olho hoje, bem mais crítico e mais afim de resolução de problemas do que postergação do fato. Death Note fez muito por mim, alimentou muito imaginação e amizades, mas hoje vejo em diversos aspectos como hoje ele não me satisfaz mais... Será por que ele é ruim? Será que me tornei um idiota? (Grandes chances) ... Mas fico feliz em perceber em como mudei e em como posso construir melhor argumentos que defendam ou critiquem um audiovisual.


Seja para o bem ou para mal, Ryuk está sempre ali de boas comendo maçãs.
Nesse ponto, agora posso dizer com todas as palavras que ODEIO O LIGHT, que adolescente chato, cara! E gosto um pouco de L, coisa que não compreendia antes, mas faz um par extremamente competitivo com Light, deixando a história bem construída e cheia de embates. Mas os embates sempre são apresentados de maneira aberta, em que o próprio espectador pode decidir que lado escolher... e que lado escolher... e que lado escolher... rs! Pois aqui a cada reviravolta você muda de lado e compreende aquilo que até então você não fazia ideia.


Light, agora Turner, na versão da Netlix
Assim como na belíssima primeira temporada, da série também Netflix, “Demolidor” (2015), conhecemos Matt Murdock (Charlie Cox) e o Wilson Fisk (Vincent D'Onofrio), dois personagens que possuem altas semelhanças quando desejam o melhor para o bairro de Hell's Kitchen, mas o caminho para chegar a esse “melhor” é extremamente diferente um do outro. Logo é nesse momento que se constroem mocinhos e vilões, nos mostrando que tal definição pode ser muito relativa, pois depende muito das circunstâncias, como aconteceu na segunda temporada (2016) da mesma série, com a chegada do personagem do Justiceiro (Jon Bernthal), nos apresentando várias reflexões sobre qual é o melhor jeito de realizar justiça, matando os criminosos de forma sanguinária ou levando eles para uma justiça falida?


Charlie Cox como Matt Murdock
Pegando essa brisa da série do Demolidor de Drew Goddard, podemos compreender cada vez mais o anime de Obata e Ôhba, pois percebemos que apesar das boas intenções de Light, a ideia de ser um Deus para um novo mundo só demonstra que faz tudo em nome de seu egoísmo, ou como L é arrogante e estúpido quando está realizando sua investigação. Como falei, aqui é bem relativo a ideia mocinho e bandido, somente pessoas disputando poder e reconhecimento, mudar de lado nessa narrativa é extremamente fácil e permissível.

Death Note e seus vários personagens

Num mundo em que presenciamos uma ascensão de uma extrema direita em diferentes lugares, com “soluções” para problemas sociais de forma autoritária, desde um Temer no Brasil até um Trump nos EUA e suas políticas de privilégios sociais, me faz relacionar com muitas perguntas. Como chegaram no poder? Quem os colocou lá? Somos capazes de eleger pessoas com discursos de soluções rápidas? Quando Bolsonaro se populariza cada vez mais em seus discursos, como quando falou que o Brasil é “estado cristão” e que “minorias têm que se curvar” (vídeo) me lembra de Light conquistando as pessoas, alegando que está construindo algo melhor, mas só que na verdade está somente afim de construir um novo mundo em que será um tipo de deus.

Kira: "Eu sou Deus do novo mundo", mas... o que será que realmente novo Light está a nos oferecer?
Nesse momento a construção no momento inicial da narrativa se faz valer totalmente para o resto da história, pois ao sermos apresentados primeiramente a Light conhecemos seu mundo e logo adquirimos empatia por ele, e assim facilmente somos conquistados por seus discursos de matança. Mas quando paramos para pensar nas perspectivas de L, na relação abusiva que Light possui com Misa Amane (Aya Hirano) e nos esquemas totalmente cruéis que nosso proprietário do Death Note realiza somente para que as pessoas se curvem a ele, começamos a perceber que estamos lidando com um novo ditador, que só quer fazer valer suas perspectivas. 

Ryuk: "Você perdeu, Light"
Quando vamos ao episódio final e entendemos o porquê de um “Novo Mundo” (nome do episódio), vemos que um novo mundo não é um supremo ditador que mata aqueles que não se enquadram em sua expectativa, desse exemplar de babaca já tivemos muitos em nossa história da humanidade. O “novo mundo” defendido no último episódio é um mundo sem ditadores e sem justiça feita com as próprias mãos, sem máscaras ou planos para sair ileso após cometer tantos assassinatos, PUTZ! Um novo mundo é aquele que construímos hoje, já que ele é novo eu não posso defini-lo, só posso repudiar o que há de mais antiquado e autoritário, para que realmente um novo mundo realmente novo possa ocorrer.

TRAILER


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