Direção: Joachim Rønning e Espen Sandberg Roteiro: Thomas Nordseth-Tiller Elenco: Aksel Hennie, Agnes Kittelsen, Ken Duken
Baseado em fatos reais, Max Manus segue a trajetória desse soldado norueguês durante a década de 1940. Poderia falar que é uma história da resistência norueguesa à invasão alemã à Noruega, porém estaria deixando de lado o inicio do filme que mostra Max atuando na Guerra Russo-Finlandesa entre 1939 e 1940. Porém, sim,o filme se foca na formação e atuação do grupo de ação especial formado pro Max e seus amigos.
Treinados na Escócia, o filme caminha pelas missões de sabotagem do grupo e pela propaganda contrária aos nazistas que tomam o poder. A questão da propaganda e do jornal aparece pontualmente para nos mostrar que a diferença entre terrorista e herói pode ser quem se sai vencedor. Altamente ligado a história da Noruega alguns podem apontar um revisionismo histórico em mostrar os palcos menos importantes na 2ª Guerra Mundial, porém, creio que taxar como revisionismo é reforçar uma visão da guerra construída por EUA, Inglaterra e França que tornaram os outros palcos que não o front ocidental menos importante. Assim, não creio que seja revisionismo, mas uma forma de mostrar que a 2ª Guerra Mundial caminhou para seu fim a partir de vários pontos, vários fatores, e não somente pelo dia D, o desembarque dos aliados na praia na Normandia em 1944.
Além disso, acho que o ponto mais impactante do filme é sua dimensão e carga emocional. Aos poucos vemos Max se entregando a si mesmo, se despedaçando, e no fim, apesar da vitória, Max está perdido. Neste aspecto os flashbacks que mostram Max atuando na Guerra Russo-Finlandesa revela o impacto que a guerra tem no desenvolvimento do personagem principal, na relação com seus amigos, na relação com o seu país. Max não se torna um herói instantaneamente, ele é construído.
Elenco: Domhnall Gleeson, Michael Fassbender, Scoot McNairy, Maggie
Gyllenhaal, Carla Azar e François Civil
Frustrado em sua tentativa de ser músico e esmagado pela rotina Jon
(Domhnall Gleeson) encontra uma oportunidade de escapar desse caminho de
“fracasso” ao presenciar a tentativa de suicídio do tecladista da banda
Soronprfbs. Recebendo um convite com hora e local, ele chega no bar
decadente e se depara com a cabeça gigante de fibra de vidro de Frank
(Michael Fassbender) tomando o palco com sua banda. Uma confusão deixa
Frank sozinho com Jon no palco e ali ele vislumbra uma genialidade que
talvez só os outros integrantes da banda de nome impronunciável
vislumbravam. Ao voltar para sua rotina Jon se vê entregue ao pesadelo
de querer compor algo único e não conseguir. Um telefonema leva Jon para
a Irlanda, junto dos Soronprfbs, junto de Frank.
No entanto, o fim de semana
avisado para seu chefe para gravar o álbum da banda se transformam em
vários meses. Para não serem expulsos Jon coloca seu dinheiro para que
ele pudesse continuar nessa experiência. Frank é como o coelho de Alice
que convida Jon para uma aventura de experimentalismo libertador na
música, mas também dos padrões impostos pela sociedade. Apesar disso
este coelho veste uma máscara, uma cabeça gigante, como olhos de coruja,
para escapar do mundo, e esse ermitão é que conduz Jon quase como o
Zaratustra de Nietzsche guiando a humanidade. Além disso, Jon coloca-se
em contato com Don (Scoot McNairy), o gerente da banda, o primeiro
tecladista da banda, entra em rota de colisão com Clara (Maggie
Gyllenhaal), que alimenta uma paixão por Frank e vê em Jon uma ameaça à
banda, além de Nana (Carla Azar) e Baraque (François Civil), dois
franceses que não falam inglês e poderiam lembrar as pulgas acrobatas de
Vida de Inseto (1998).
O ponto de virada é construindo quando os
desconhecidos Soronprfbs são levados para a internet por Jon. Isso
alimenta o conflito com Clara, que vê a vontade do novato de querer
impor os rumos da banda para alimentar seu sonho. O suicídio de Don é
seguido pela viagem até os EUA para um festival. Os ermitões são
retirados de seu exílio voluntário, menos Jon, que esteve nesse retiro,
mas não era um ermitão. Jon vai tomando consciência dos laços explosivos
que unem os Soronprfbs ao tentar tomar o controle, ao tentar usar o
grupo como um trampolim para ser aquilo que ele queria ser. No festival
esse seu controle leva a saída de Clara, Nana e Bareque. Frank surta
numa mistura de reconhecimento e rejeição e some. Jon percebendo como
seu controle levou ao descontrole sai a procura de Frank. Ele sabe onde
procurar.
Ao conversar com os pais de Frank ele encara o rosto do ser
humano que ele tanto teve curiosidade de conhecer, encara as cicatrizes,
externas e internas, encara a loucura, do grupo e de Frank, Zaratustra
que guiava os Soronprfbs com uma cabeça gigante de fibra de vidro.
Trazendo de volta Frank para seus seguidores, Clara, Nana e Baraque, o
fim do filme com uma música chamada “Eu amo vocês todos” encerra um
ótimo filme que vem do nada e te leva a lugar nenhum, só que mesmo assim
te cativa, causa uma inquietação, uma coceira atrás da orelha. Jon ao
tentar escapar de sua rotina para buscar seu sonho não queria se livrar
de certas amarras, e isso levava a sua frustração.
Ao conhecer Frank e
seu horizonte ilimitado ele vê um espelho do que ele quer ser. Porém a
convivência com Don, Clara, Nana, Baraque, e, sobretudo, Frank, ocorre
com ele ausente daquele espaço por causa de suas amarras. É difícil
escapar daquela premissa que nem todo louco é gênio, mas todo gênio é
louco. Apesar do filme se chamar Frank ele é focado em Jon, pois é ele
quem deve aprender que tem de ir além do abismo, ele tem que pular, sem
medo, com os olhos abertos, tão abertos quanto os olhos de Frank. Será
que Frank com seus olhos gigantes via coisas que o ser humano não via?
A história de Frank é baseada na história real do músico e comediante inglês Chris Sievey
e seu personagem Frank Sidebottom que
esteve em atividade até o ano de sua morte, 2010. Porém, o filme também
tem elementos da trajetória do cantor Daniel Johnston e Captain Beefheart, músicos quase desconhecidos, porém com uma experiência musical e de vida explosiva.
Chris Sievey
Daniel Johnston
Captain Beefheart
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Um grupo de amigos resolve tirar umas férias nas montanhas em um chalé, porém coisas estranhas começam a acontecer quando eles mexem em alguns objetos guardados neste chalé/cabana. Muito vagamente poderia estar me referindo a Morte do Demônio (1981) de Sam Raimi, porém, esse também é a trama do norueguês Død Snø (Dead Snow/Zumbis na Neve, 2009).
Depois que George Romero recriou o zumbi do voodoo e transformou ele em uma crítica ao capitalismo o gênero se ampliou, trilhou novos caminhos, desviou-se da crítica, porém, sempre estavam ali, prontos para nós dar sangue, tripas e as vezes risadas. Død Snø trás estes 3 atributos. E neve.
O grupo de amigos vai para o chalé para passar o feriado e lá dão de cara com um velho que conta que naquela região os nazistas na 2ª Guerra Mundial saquearam as casas das pessoas. Revoltados, eles se rebelaram e mataram todos os soldados nazistas. No chalé ao encontrar uma baú com o tesouro dos nazistas eles acordam zumbis nazistas! Sim meu caro Tertuliano, você leu direito, zumbis nazistas!
O diretor Tommy Wirkola se baseou na mitologia nórdica e ao invés de trazer mortos-vivos ressuscitado por vírus, resíduo tóxico, por que o inferno ficou cheio, ele apresenta o Draugr, o morto-vivo que defende o tesouro enterrado com ele, e é justamente isso que leva esses zumbis nazistas a perseguirem esses jovens quando eles descobrem este baú. A partir desse momento o filme passa a ser sangue, tripas, risadas e neve, muitas piadas, referências e mortes insanas. Apesar de não ser o melhor filme do gênero é um filme que garante boas risadas e diversão. Se você gosta de filmes de zumbi, de filmes sobre 2ª Guerra Mundial, se você só quer ver zumbis nazistas, esse é o filme!
Por que assistimos filmes de terror? Medo do escuro? Medo do
desconhecido? Causar terror? ABC's of Death (2012) é um bom filme para nos questionarmos isso,
pois além de trazer para as telas a morte de forma tão clara e escarrada eles utilizam todo um universo do como se faz filmes de terror.
No mesmo ano
que saiu ABC's of Death também foi lançado V/H/S
(2012) com uma proposta semelhante. Um grupo de jovens invade uma casa e
encontra fitas cassete antigas no qual estão gravados fenômenos
sobrenaturais. Vários diretores, vários curtas dentro de um filme. Porém
se V/H/S tenta construir e dar um ar de veracidade, ABC's of Death assume a sua metalinguagem a todo momento, contra, a favor. São
26 filmes atados em um longa metragem com algumas histórias boas, outras
nem tanto. Encontrar um nexo entre eles é difícil, porém as palavras
refletem como os diretores criam visões da morte e também como nos relacionamos com a morte. A de Apocalipse nós mostra
uma dona de casa matando seu marido enquanto ele tomava seu café da
manhã na cama, e ela triste confessa que estava o envenenando a um ano,
porém não havia mais tempo, close na janela, uma luz vermelha toma as
cortinas. Esse é o primeiro curta, essa é a primeira impressão do filme. D de Dogfight (briga de cachorro) nós mostra o instinto de sobreviver. E de Exterminar mostra de uma forma gore como nossas ações tem reações e isso vivenciamos cotidianamente.
Porém, se em alguns filmes estão mais relacionados ao tema da morte outros apresentam está questão de forma mais mascarada. O de Orgasmo mostra que o prazer também pode matar. J de Jidai-Geri (Filme de
Samurai) mostra de uma forma peculiar o seppuku ou harakiri, ritual
suicida japonês dos samurais. Interessante notar que os curtas japoneses
exploram a questão do suicídio mais de uma vez, porém sempre de uma
forma peculiar, e quando eu digo peculiar imagine aquela propaganda do Japão que te enviaram alguma vez.
Japão sendo Japão F de Fart (Peido)
Desta forma, se alguns curtas conseguem
passear por significados mais profundos outros simplesmente não se levam
a sério como T de Toilet, K de Klutz (desastrado), e H de Hydro-Electric Diffusion (Difusão Hidro-Elétrica). Por último ainda há
de notar dois meta filmes, Q de Quack e W de Wtf! que exploram o processo
"criativo" por trás desses curtas.
H de Hydro-Electric Diffusion
T de Toilet
Falando do fim da vida eles partem de
uma analogia do inicio, o processo de aprendizado, de aprender as letras
do alfabeto. Estando atados a uma ideia de morte como um fim, o fim do
belo, do jovem, e isso reflete na visão que temos da velhice, ele une o
inicio com o fim. Ao deparar com curtas de temática densa e saltar para
uma filme trash, ABC's of Death acaba virando um exercício de reflexão
sobre como encaramos a morte e o que aprendemos nessa relação
vida/morte. A morte é nossa única certeza ou sabendo do ponto final
nossa única certeza é viver e encarar o mundo que está a nossa volta?
TRAILER
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Elenco: Chris Messina, Caroline Dhavernas, Bokeem Woodbine
5 pessoas presas em um elevador. Além da ansiedade de estar preso dentro de uma caixa de metal suspensa por cabos sem poder fazer nada, adicione uma pitada de sobrenatural e suspense e você terá Demônio (2010).
Por ser um filme que se concentra em um só lugar o filme é rápido e intenso e você fica tenso pois o filme te deixa pronto quando a ação acontece. Colocando questões de religiosidade o filme tenta construir uma narrativa parecida com Crash - No limite (2014), fatos desconectados que se ligam durante o filme, porém o deus ex machina final é de explodir a cabeça. Porém isso contribui para construir o que é o norte do filme: nada acontece por acaso.
O principal atrativo do filme é trazer um visão diferente para os filmes de terror como James Wan fez recentemente com Invocação do Mal (2013). Estava até agora escapando de citar M. Night Shyamalan. Ele escreve o roteiro e ficou conhecido pelos seus plot twists, uma virada inesperada na trama. Porém, após o sucesso inicial sucederam filmes não tão bem recebidos pela crítica e ficou a expectativa de quando o Shyamalan voltaria a ser o Shyamalan de O Sexto Sentido (1999), Corpo Fechado (2000), Sinais (2002) e A Vila (2004)? Bem, a narrativa de Demônio não te faz esperar muito pelo filme e isso torna a experiência interessante pois o filme te dá bastante coisa em troca. E o suspense que nosso querido Shya consegue colocar em todos os tipos de filmes possível não poderia estar fora de um filme acerca do sobrenatural. Shyamalan sempre está sendo Shyamalan até em Fim dos Tempos (2008) e Depois da Terra (2013), nós despir da expectativa é a melhor maneira de aproveitar um filme.
O filme é um ótimo suspense, rápido, intenso, que pode trazer surpresa quanto ao gênero, fugindo um pouco de clichês e colocando o questionamento sobre o acaso e sobre segredos, personalidade. Se é cultivado uma cultura do medo em várias sociedades mostrando que o mundo é perigoso e não podemos confiar em ninguém como lidamos com 5 estranhos depois que coisas inexplicáveis acontecem e você não pode fugir nem se defender?
Curiosidades
- O diretor John Erick Dowdle é o mesmo de Quarentena (2009), adaptação hollywoodiana de [REC].
- A produção optou por fazer um elevador mais profundo ao contrário de mais largo, comum em edifícios comerciais, para aumentar a sensação de "enterrado vivo" dentro dele, principalmente, quando se está longe da porta que, teoricamente, está ligada "a salvação" de quem está preso.
TRAILER LEGENDADO
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